3 anos infiltrado no rock do vale!!!


23.4.07  

O dia em que chorei por Brian Wilson, parte 1. Pois nesse verão tive a felicidade de não fazer porra nenhuma pra mexer meus músculos. Vadiagem total, descaso para com as coisas, desdém pela própria existência. Vê-se que até o blog ficou a esmo. A iconoclastia (mas pra destruir, afinal, qual ícone?) anda sendo uma constante.

Foi no verão, no entanto, que fui apresentado ao que comumente se chama de educação musical. Admitindo uma saudável ignorância em termos de conhecer bandas antigas, lá se foi o Marat para a casa de Nino Lee, aqui em Taquara mesmo. O moço mostrou a coleção enorme de CDs dele para um cara ansioso em descobrir mais sobre os anos 60.

Nutrido por toneladas de cerveja e quejandos, divididos em vários fins-de-semanas, correram no som da Marka Diabo as bandas Cargo, Adwella's Dream, The Music Machine, Zombies, o doido Love e as mais recentes Jellyfish, Wondermints, The Bees (até Muse!). A bebedeira potencializou toda percepção de sons, detalhes de produção, harmonias diferentes e melodias fora do comum! E tudo isso audível por pessoas comuns, não só absorvidas por ouvidos atentos ao que não é popular.

Mas uma banda me chamou a atenção, e não foi apresentada diretamente por Nino (embora ele tenha fomentado com informações): The Beach Boys!



A trupe de meninos que cantavam e criaram o som da Califórnia nos anos 60, aqueles cujas músicas são o parâmetro até hoje para ilustrar qualquer filme sobre praias, carros e garotas... sim, eles agora são meu alvo de pesquisa. Comecei baixando a clássica "God only knows". Resolvi escutá-la com calma. Depois da 3ª audição, entendi o porquê dessa música ser tão cultuada. Ouvi mais 20 vezes.

Claro que fui em cima de toda a história dos caras. E ela é triste, mas marcada por uma superação artística invejável.

MARAT 13:39 Tem uns comentários!
 

Voltei! Voltei.

MARAT 13:27 Tem uns comentários!


7.2.07  

Entrevista rápida com My Chemical Romance. Claro que eu consegui também uma entrevista com Gerard Way, vocalista dessa banda que é considerada o supra-sumo da bichice (e, de fato...): My Chemical Romance. Ah, e tava outro integrante da banda, que já esqueci o nome...

Não entendo como consegui enganar a segurança do MCR... simplesmente falei: "Olha lá! É o Reinaldo Gianechinni!!!".

Marat: Gerard, como representante-mor das bandas de emocore, você vê futuro no estilo?

GW: (respostas traduzidas) Bem, eu... bem, você sabe, basicamente não somos uma banda emo...

Marat: Ué, não?!?

GW: Hahahha, pega leve, Marat! Nós somos uma banda de Rock que... que toca um som de agrado aos jovens e... e eu acho que falar de sentimentos não tem nada a ver com ser ou não emo... você sabe... basicamente é isso o que penso.

Marat: Mas a crítica musical os encaixa, até de forma embasada, no âmbito emocore! E falar de sentimentos os Beatles já faziam há anos atrás...

GW: Mas então do que você está reclamando?

Marat: (com cara de bobo... 1x0 para Way) É, de fato... se bem que o contexto era outro, não acha? E de mais a mais, eles foram muito além em termos temáticos e musicais em beeem menos tempo que vocês.

GW: Bem, eu... eu acho que guitarras pesadas são... uma espécie de forma de nos aproximar-mos dos jovens que curtem Rock pesado... tum-tum-tum, sabe? Nós fomos além no álbum "The Black Parade", onde criamos texturas de guitarras, quase um Rock progressivo.



Marat: E adiantou? Não deixou de ser emo!

GW: Falo do que passo no dia-a-dia... são músicas que falam... bem, falam do cotidiano e...

Marat: Mas que sofrimento, hein, tchê? Cara, te dou um conselho: desmancha a banda, sério! Bandas desse tipo, além da bichice escondida, e que não é uma bichice artística, não acrescentam nada de interessante ao cenário musical, por mais tentativa de novidade que seja! Façam um som tipo The Thrills, Jellyfish, The Killers, sei lá... mas não criem mais um embuste fonográfico para assolar rádios e internet! Livrem as cabeças desses otários que acreditam no teu romance químico!

GW: Você está me chamando de "franguinho"? Ninguém me chama realmente de... franguinho!!!

Bem, a partir dali foram só xingamentos e disparates. Eu, tentando defender a integridade do Rock; Gerard, tomando soco na cara e defendendo os sentimentos mais puros e afetados dos adolescentes. A segurança chegou, foi uma gritaria e saí correndo. Gerard escorregou no blush, no rímel e na sombra e deu de cara numa quina de mesa. Mas há uma esperança! Ouvi ele dizendo, após o violento impacto, "Eu sou John Lennon! Eu sou John Lennon!", sério...

Coitado. Ele não é. Só Noel Gallagher é capaz de chegar perto de John.

MARAT 01:17 Tem uns comentários!


26.12.06  

Entrevista rápida com RC. Deu um trabalho hercúleo, mas consegui! Burlei seguranças, fãs, exército e campos de força e cheguei ao Rei.

A entrevista foi rápida, pois repórteres da Globo já estavam de prontidão para mais uma encheção de saco.

Marat: Roberto, como estão as perspectivas para o ano que vem?

RC: Heheheheh, pois é, bicho... muitos shows, disco novo, mídia maior dessa vez...

Marat: Tu não acha que enche um pouco o saco gravar um disco por ano? Porra, não dá nem tempo de o fã deglutir o raio do disco...

RC: Pois é, Murat...

Marat: É Marat, porra!

RC: Hehehehe, são tantas emoções... na minha idade, não dá pra deixar que oportunidades de trabalho se percam... quero gravar o máximo possível até minha morte!



Marat: Mas fala sério, tu tá devendo um discaço pra galera, né?

RC: Tem vendido bem, tem vendido bem... tô em outras, bicho, mais relax, menos agressivo...

Marat: Mas eu saquei que tu tem te soltado mais no palco, tá mais faceiro, meio marombinha agora, deu pra malhar os braços, sem aquela frescurada de Transtorno Obsessivo Compulsivo... ih, já sei: tá comendo alguém, cacete???

RC: HEHEHEHEHEEH!!! Sempre, bicho, sempre... a Globo que o diga, Heheheheh...



Marat: Tá, vamos ao que interessa: que porra é essa de cantar ao lado do MC Leozinho, Marcinho, sei lá, bem no especial de fim-de-ano???

RC: Era uma música muito gostosa de cantar, atual, moderna... achei que acertaria em cheio na meninada... deu certo, né?

Marat: De forma alguma!!! Velho, deixa de ser ratão e pensa: em Porto Alegre, tem uma onda revival anos 60, que é da pesada! Se tu inventa de gravar um disco com aquelas roquinhos da antiga ou até de Soul Music, tu sai de Rei a Imperador, além de vender disco como água. Larga de mão essa popularidade sertanóide, pseudo-elegante e crooner que tu adquiriu com o glamour imposto pela Globo, rapá! Grava Rock, vai por mim...

RC: Ah... Heheheh, em Porto Alegre tem isso?

Nessa hora, abre-se a porta e o empresário do Rei o chama: "Senhor Roberto, corre rápido até aqui!". Mas daí RC tropeçou feio e caiu um tombão, mostrando inabilidade tacanha na arte dos 100m rasos. Aproveitei a confusão e me mandei, crente que dessa vez Robertinho vai dar mais material de qualidade para Frank Jorge e para Jota Quest.

E um Feliz Ano Novo! Que 2008 seja repleto de felicidades (pois já sabemos que 2007 vai ser a mesma baboseira de sempre)...

MARAT 13:50 Tem uns comentários!


24.10.06  

Shows do fim-de-semana. Sim, eu também achei a Oktober desse ano meio esquisita. Chope não lá muito gelado, gente fria, pouco quórum. Havia algo de estranho no ar, mas não serei eu que direi algo contra.

Pra mim, em questão de muié, foi bom.

Mas cabe falar dos shows que rolaram. Não assisti ao Jota Quest, pois estava ocupado com garotas. Mas a galera andou dizendo que não foi lá essas coisas. Pensando bem, como confiar no povo? Disseram que o vocal de Rob Halford tava ridículo no show do Judas Priest... e, sinceramente, poucas vezes vi vocal tão eficiente.

Vai saber...

Quis ver os Acústicos e cheguei à meia-noite no Parque. Claro, estava fechado. Nem adiantou eu atochar que era de Porto Alegre. Meu negócio era ficar na rua mesmo. Mas aí resolvi encarar a sexta-feira. Reação em Cadeia foi a atração principal. Como eu tava numa rastreação ridícula, caçando mulher como quem caça sinais de rádio vindo de outros planetas, fui para perto do Palco 3. Inacreditavelmente, ouvi Jonathan Corrêa tocando, ao violão, "We can work it out"! Caramba, Reação tocando Beatles... é, fui ver o show. Aproveitei pra preparar uma resenha.

A banda mudou. Para melhor. E a mudança mais audível é a voz do vocal, agora na versão original, dos tempos da demo no Paulo Gordo. Sem mais a rasgação que caracterizou esses 4 ou 5 anos de banda. É uma aposta que até cabe nessas alturas, já que Reação não é mais aquele afã de novidade. O grupo tá menos explosivo em palco, o que descarregou um pouco o visual da banda. O palco está mais claro e mais limpo, a não ser pelo Marshall, o Crate e o Mesa valvulados do cantor.


Tosou o cabelo e mudou a voz... sinais dos tempos?

Tocaram umas famosas e tal, até que JC pega o violão novamente e arrisca "Hope of deliverance", do Paul McCartney. A banda não ganhou um fã, mas ganhou crédito. Fecharam com "Me odeie", em versão original.

No sábado, resolvi me bandear para Campo Bom, para assistir um dos elos que existe com o Rock de Brasília. Paralamas do Sucesso de grátis! É óbvio que cheguei no meio do show. Tava dando o solinho "Lanterna dos afogados" (a melhor música do Rock nacional) quando adentrei a praça. O público era da faixa dos 25 pra cima, embora eu tenha visto guriazinhas de 3 ou 4 anos dançando ao som de "Óculos".

"...em cima dessas rodas tem um cara legal!"

Tem mesmo. Herbert pode ser visto como um equívoco por parte dos roqueiros, que sacaneiam o fato de ele ter perdido muito do fiapo de voz que tinha. Mas o cara é um ícone da juventude intelectualizada anos 80... e tá vivo! Estava lá ele, de terno, empunhando suas Gibson de timbres abafados pelos transístores dos pedais Zoom, cantando a faceirice da tropa presente no Largo Irmãos Vetter. A banda soltando uma sonzeira, bateria, percussão e teclados audibilíssimos, baixo embolado e uma voz solitária que tinha em mim um backing vocal entusiasmado.


Sola, Herbert!

Herbert chegou a falar alguma coisa sobre Maradona e Pelé, o que achei inútil e uma hora própria para berrar "gordo ridículo!", sentença encomendada por um camarada meu. Passou. O cantor ainda se atrapalhou com o nome da cidade no verso "... Os Paralamas do Sucesso iam tentar tocar... em qualquer lugar! ". Bem, talvez não fosse a hora de esquecer o nome da cidade que tá trazendo, de graça, shows muito legais para o público do Vale. Coisa que Taquara nem tenta fazer...

Enfim, duas boas mostras da nova e velha geração do Rock brasileiro. Seja isso bom ou ruim.

Ah, e roubaram um paninho de chão que eu usava como forro do banco no Rock Way-móvel. Foi num estacionamento-com-chave em Campo Bom...

MARAT 01:15 Tem uns comentários!


12.10.06  

Solos. Coisas que lembrei enquanto votava no Eymael...

> Quem achou que o Ministro da Cultura não fez bosta nenhuma pela arte e propagação de cultura pelo Brasil (o que, de fato...), pode guardar suas mágoas: com Mano Changes e Frank Aguiar como deputados, agora vai!!!

> A velha raposa The Edge, guitarra do U2, declarou em entrevista que a música "Sometimes you can't make it on your own", do último álbum dos irlandeses, foi clara e escancaradamente inspirada em "Stand by me", do Lennon. Pelo menos na parte de harmonia.Eu até achei que não tem lá muito a ver, mas deu pra perceber que não só o Oasis se anima com plágios.

> A notícia é velha, mas cabe colocar aqui. Lendo o Segundo Caderno (boa fonte de informações Pop), da ZH, vi uma matéria sobre Marcelo Birck, ex-Graforréia. Saca só o que o indivíduo falou sobre seu disco e show que apresentou no TIM Festival 2006, no Rio: "Esse trabalho é uma síntese dos anteriores, desde a Graforréia até meu CD solo, mantendo as influências da jovem guarda, surf music, música dos anos 60 e brega setentista, com procedimentos não-convencionais derivados das vanguardas musicais do século 20 e 21, sempre radicalizando os recursos oferecidos pelos meios computadorizados..."

> Ou seja: gênio!

> E os festivais proliferando por aí, e eu não indo a nenhum. Eriq Marat não é mais o mesmo arroz-de-festa de show de outrora.

> Renato Russo morreu há 10 anos. Se não tivesse sido cremado, estaria em luta infernal contra as paredes de seu esquife ao ouvir rádio hoje. Ou pior ainda: ao baixar músicas dos sites das bandas novas.

> 1º conselho à gurizada que vai montar uma banda: NÃO monte uma banda! Vá trabalhar, estudar, comer mulher, bater punheta! Esqueça esse massacrante mundo da música, esqueça que você viu ForFun e NX Zero e acha que você pode fazer o mesmo. Desista! Chega! Quer música e diversão? Vá prum puteiro!

MARAT 08:48 Tem uns comentários!


20.9.06  

3 anos de "Rock da Região". O termo já poderia ser aplicado como denominação de um movimento musical. Imaginem um valley rock!?

O certo é que fui testemunha ocular e auditiva da doideira que foram os tempos desde julho de 2003, data da criação do RWOL. Bandas morreram, outras nasceram, outras vingaram de vez. Muitas não passaram de projetos. E eu estive presente de uma forma ou de outra nessa confusão.

De todas as bandas que sobraram no mercado, algumas ainda me chamam a atenção. A Rumbá virou Pop e Cult, o que a livrou das "amenidades" aqui proferidas há 3 anos. A Velhos Hábitos retomou uma idéia que tinha morrido com a Matrix e Kiko Wallauer pôde se rehabilitar no meio artístico. A Xeque Mate ainda continua suas atividades. E eu toco em banda desde 2004.

Áí vai uma listinha interessante, talvez. Servirá pra muitos verem que o cara supostamente (leia-se "verdadeiramente") amargo tirou algo de bom da correria de festivais e CDs demo que tomaram conta do Vale do Paranhana entre 2003 e 2006:

Discos quentes: Plano Z, Kiko Wallauer solo, Álvaro Vicente/Coringa Mor, Ata, Das Reich, The Plug, The Nobs, MooGee, Tweedy.

Shows quentes: Plano Z, Velhos Hábitos, The Plug, Stoneanos, Staut, Cartolas, Sub V7, The Dogs, Verde Maria, Ávalon, Motorocker, Django y Los Bastards.


Bastards em ação!

Bandas que surpreenderam positivamente: Blackbirds, Os Daltons, Lucille.

Para curtir um show numa boa: Xeque Mate, Policarpo, Ata.

E é óbvio que aí se juntam várias outras que não lembro agora. Espero que na nova esfera musical que as bandas andam projetando para 2007 a coisa vire a nosso favor. Não podemos ser tão provincianos em achar que um sucesso local é o bastante, pois sabe-se que não é esse o objetivo da gurizada. O Orkut andou expandindo muita música e espera-se que não haja derrotados nessa possível, e agora acessível, escalada.

É a hora de muitas bandas do Valley Rock. A MooGee está pra sair em um monte de mídias como a banda gaúcha com mais membros em uma comunidade oficial (o que, de fato...), garantindo que pessoas de todo o Brasil conheçam um som novo e voltem os olhos para a região. A Plano Z está se coçando novamente e vai tentar vôos mais altos. Até a Desvio Padrão pegou carona na Internet! Mas o nosso negócio ainda é rádio...

Vejam nossa Capital...

Porto Alegre está concentrada no movimento Cidade Baixa (downtown rock), que mistura psicodelia, Mod, Beatles 1ª fase (nunca a 2ª) e Supergrass. Às vezes , tudo na mesma banda. Como acho que o sujeito deve ter sua penetração na Capital, o jeito é comer pelas beiradas mesmo, pois os bares estão concentrados onde o Rock de Porto é mais forte. Não há casas de show ou bares confiáveis nos subúrbios e bairros residenciais tradicionais.


Superguidis, uma das mais famosas da Cidade Baixa.

As rádios estarão abertas a movimentos novos? Bandas novas? Coisas da grande Porto Alegre? Como rádio não é assistência social, por mais que doa admitir isso, o negócio é atacar!

Solos. Coisas em que pensei enquanto estava morto...

> Pensando bem, CD demo não é coisa de Deus.

> Se o velho Albert Einstein fosse um artistas vendedor de discos, ele não teria, sabiamente, falado mal do Brasil, em certa feita posterior a uma visita à terra de Lula.

> Sandro Illuminatti enviou para minha pessoa:

metal é música de psicótico
rock é música de drogado
punk é música de arruaceiro
pop é música de viado
rap é música de bandido
gospel é música de fanático
funk é música de favelado
jazz é música de velho gagá
mpb é música de pseudo-intelectual
sertanjeo é música de caipira
pagode é música de gente burra
bailão é música de grosso

> Eu é que sou o bandido, né?

MARAT 23:08 Tem uns comentários!


22.8.06  

Meus heróis morreram de overdose... Num exercício não muito intenso de meu cérebro, fiquei pensando hoje: o que estariam fazendo meus ídolos na música brasileira, caso estivessem vivos?

Vale a pena viajar um pouco. É claro que não conheci nenhum deles ao vivo, embora não fosse uma tarefa complicada, segundo quem os conhecia. Eu é que inventei de nascer em 1980, sem tempo de ir a um show deles. Cazuza, Renato Russo e Raul Seixas foram embora e deixaram uma lacuna difícil de ser preenchida, mais que qualquer outro artista morto.

Cazuza, esse safado bagaceiro, provavelmente estaria cantando exclusivamente MPB. Haveria de lançar, a partir de 1995, um disco a cada 3 anos. Seria uma espécie de Chico Buarque, guardada as devidas proporções. Essa mudança daria-se mais por meio da mídia, que forçaria a imagem de Cazuza a entrar no rol dos intocáveis da MPB. Se eu bem conheço a personalidade do poeta, isso o afetaria muito, mas não teria jeito. Ou ele entrava no esquema ou seria engolido pelas novas tendências de mercado.

E dê-lhe participação em acústicos e shows ao vivo. E dê-lhe Bete Carvalho, Cauby Peixoto, Ney Matogrosso e Alcione...

Se sambinhas e bossas fizessem parte do repertório de Cazuza, o mesmo não poderia ser previsto para Raulzito. Penso no baiano como um eremita do Rock, alguém hours-concours dentro da música brasileira. Lá, quieto, com o nome garantido nas preciosidades do Brasil. Mas já sem calibre de mandar o mundo à merda sutilmente em suas canções, Raul estaria fazendo pequenos shows de abertura de bandas grandes, Às vezes até de Metal (afinal, qual metaleiro que não gosta de Raul Seixas?).

Poderia aparecer regularmente na TV em casos esparsos de bebedeira em público... isso até algum ACM convencê-lo a se candidatar a deputado. Pode parecer que não, mas acho que ele se meteria num negócio desses, sim. Após um fracasso na candidatura, o velho se mandaria para Nova York, terra onde ele teve contato com John Lennon (lembram-se?). O exílio faria bem ao roqueiro, que voltaria com gás para lançar mais discos, com participações especiais dessa gente nova... mas não me pergunte quem.

Renato Russo teria encarado seu declarado pós-projeto Legião: a composição de uma ópera. Como o rapazinho era culto, saberia de onde tirar influências para fazer uma coisa bem feita. A crítica (menos a Show Bizz) encararia como uma manobra apelativa, o que enfiaria Russo numa depressão clássica. Viagem pro exterior, talvez para San Francisco, baterias recarregadas. No retorno ao Brasil, mais discos leves com a Legião, mantendo os fãs antigos mas pouco agregando novos.

Numa segunda tentativa de se meter com os palcos teatrais, seria possível uma parceira com Cazuza, já que o ex-líder do Barão era metido com essas coisas quando piá. Com crédito maior no panteão dos MPBs, Cazuza atrairia a atenção da mídia, enquanto Russo chamaria os jovens para as noções de teatro e arte (assuntos para os quais ele seria muito requisitado a dar pitacos).

É bonito pensar que D2, Charlie Brown e CPM não teriam vez no mercado, caso os 3 estivessem vivos. Mas só entre nós, o panorama da coisa toda não teria mudado muito. O Rock no Brasil é, como diz o Lobão, "macaquito" do Rock estrangeiro. E se lá a coisa anda de um jeito, não seria nenhum dos três que impediria as novas gerações de ouvir guitarras mais esganiçadas. E vale lembrar que excluindo Raul, os outros dois tiveram seu sucesso na onda do Rock cabeça dos anos 80.

E isso não combina com o século 21.

Solos. Coisas que lembrei enquanto pedia pela milésima vez um amplificador emprestado...

> Seguinte: teve um monte de show tri aí, que rolou e tal... não fui em nenhum.

> No show da banda Drive, em Três Coroas, a Gabi (amigona minha) foi perguntada a respeito da apresentação, pelo baixista Harlem. Segue o diálogo:

- E aí, gostou do show?
- Não! Não gostei...
- Hmmm, o que que houve...?
- Não gosto do tipo de música que vocês tocam!
- Ué, tu não curte Punk Rock?

Ponto.

MARAT 13:20 Tem uns comentários!


10.7.06  

Eriq Marat ainda é vivo? Sim...

Como o blog não expirou a validade, vamos em frente. Esse mês, por sinal, faz 3 anos que escrevo essa josta. Ou seja: e daí?

Caras, porra, fui à Festa Junina do Bar do Morro, lá no Ferrabraz. Assisti ao Renato Velho, sofrendo pra tocar bem num equipamento meio anos 80. Quer dizer, o som de frente, pois as válvulas de seus amplificadores foram uma atração à parte. Valeu a pena ver o show de improviso que Velhinho e Gabriel (da Pata) nas guitarras. E como eu conheço todo o repertório do Renato, foi de fácil digestão seu show. Nem precisou tocar Raulzito pra agradar.

Daí, fui comprar quentão, pois achei que seria mais engraçado que comprar cerveja. A turma foi pra rua tomar um vento quente na cara. Acenderam a fogueira, que os cretinos montaram à base de taquaras, só pra dar uns estouros fodidos! Hahaha, funcionou! A ventania atiçou a porra do fogaréu a fu, quase arruinando um Fiat Tipo (não, não era o Rockway-móvel) que ali se encontrava, enquanto seu dono estava lá no mato curtindo a fumaça de Jah!

Depois, rolou o velho Frank Jorge, com a The Dogs, de banda de apoio. Massa, massa mesmo! Mas a essas alturas, o quentão bateu feio e resolvemos ir embora. Bela noite pra comemorar sei lá que se comemora nesse dia...

Solos. Coisas que vieram à cabeça quando faltou luz nesse fim-de-semana...

> Sempre tanta coisa a dizer... e nunca me sai nada.

> Ah, claro! Nesse último finde, fui assistir à Folha Seca e à Stoneanos, lá no Tio Remi. Os céus e o vento quente esquisito (não pela época, mas vento esquisito é esquisito e pronto!) anunciavam um temporal. Veio um ciclone que cortou o show da Folha pela metade.

> Ou seja: a Folha saiu voando. Hahaha, viu como sou engraçado?

> A luz se foi, mas aumentou o clima intimista do bar. Boa idéia pro Eze e pro Ju. Luz à meia boca! Ficou massa! Pena que a Stoneanos não tocou. Tudo bem, eles tocam no próximo sábado.

> Bem no dia em que a Desvio Padrão fará seu pré-lançamento do disco lá na Karaoukê. A cidade de Parobé é uma 2ª casa pra banda! Tá todo mundo convidado, nem que seja por curiosidade mórbida.

> A falta de luz também atingiu Parobé, 3 vezes. É o gambá nos transformadores de Taquara de novo...

> Bem, como estômago de crítico tem limite, não agüentei. Leiam isso aqui!!! PAULO RICARDO

> Syd Barrett, meu velho... onde você estiver, tenha certeza: nós vamos dar um jeito por aqui.


Fique com Deus... e mostre a psicodelia para ele!

MARAT 23:36 Tem uns comentários!


20.6.06  

Solos. Coisas que insistem em bater, bater, bater na porta do Céu...

> Renato Velho e mais um monte de músicos bons de Porto Alegre estarão fazendo um outro tipo de Festa Junina no Pé do Morro Ferrabraz, em Sapiranga. Será no dia 24, agora, sábado. O primão, com A Banda, tocará suas músicas acompanhado da Pata de Elefante, mais Rodrigo Ruivo (The Dogs) no baixo. E tem um plus: Frank Jorge! O hômi estará tocando também. Ou seja: só Rock dos bons, pra quem não quer ver Funk, forró ou coisas do gênero. 10 pila os bombachas e 8 pila as chinocas!


Velhinho e Tchê Gomes, no TNT.

> Dia 15 de julho, Desvio Padrão na Karaoukê, pré-lançando o disco homônimo. Estará à venda inúmeros exemplares dessa sumidade Pop no local. Mas você pode adquirir um comigo mesmo. Custa só 15 contos! E é original.

> Está para rolar também, hora ou outra, o lançamento do disco da MooGee (ex-Radicais Livres). Ao que consta, a bolacha será apresentada com pompa e circunstância. Luiz Fernando, Henrique Souza, Kinho e Elias (eles têm nome artístico também) devem estar contentes por verem terminado um trabalho que iniciou há bastante tempo.


Prontos pro jogo!

> Em 2003, quando fui a um festival de Rock aqui em Taquara, assisti o LF dizendo que a Smokers iria se dedicar a músicas próprias e tal. Pois, agora é hora de verem o que eu já conheço. Rock legal, com guitarras tipo Bandaliera, às vezes Cidadão Quem, mas com toques mais modernos. Não sacou? Espere o disco, ora...

MARAT 17:38 Tem uns comentários!


26.5.06  

Quem tem crédito? O começo de uma banda é definitivamente difícil. Você tem que mostrar de cara ao que veio, senão vira carta fora do baralho.

As grandes bandas que conhecemos tiveram seu êxito já nos dois primeiros discos. E é pra eles que se voltam as atenções quando a banda inventa alguma bobagem e sai dos palcos crente que seu último trabalho é um sucesso. Mas é o conjunto da obra e a crítica que fazem de um artista ou banda um potencial "fazedor' do que bem entende.

Poucos têm crédito pra isso.

Acredita-se piamente (e falo agora de dentro do ambiente artístico) que ao chegar no topo, a banda pode gravar o que sempre sonhou. Se um grupo tem a pecha de banda bonitinha, só com muito esforço pode-se livrar do "só mais um rostinho lindo e um sorriso encantador". Existe, sim, essa possibilidade. Mas convenhamos que é tarefa mais árdua que, desde o começo do grupo, simplesmente fazer músicas audíveis.

O mercado vive de duas coisas, que são imagem e som. Ainda, sim, ganha o som. Quer um exemplo: o Br'oz! Você pode achá-los enjoados, mas cada um deles deve, nesse dois anos de vida do grupo, ter pêgo mais mulheres que nós juntos. Só que não tinham a consistência de músicas boas. Se olharmos pro passado, lá nos idos anos 80, veremos que esse Pop de academia era bem melhor, mais cantarolável e mais animadinho. Quer ser mais um rosto limpinho e depois tentar virar o jogo? Não! Faça, acima de tudo, músicas boas.

A melodia teria, nesse caso, que sobreviver tranqüila sem a necessidade da associação com a imagem. Aí, se consegue-se esse feito, o grupo tem mais chances de deslanchar. Se deslancha, pode-se fazer qualquer coisa. Uma banda de Rock no auge tem autorização para gravar um disco psicodélico. Mas se monta sua fama na cara bonita de um e depois quer fazer doideiras, aí fica ruim.

Eita, estou sendo redundante pra caramba...

Um cara que conseguiu um respaldo fodido na mídia foi o tal de Renato Russo, o principal ídolo meu. Tive lendo as milhares de revistas Bizz e ShowBizz, além das MTV, e vi que o cara é adorado por demais. Claro, eu era um que achava do caralho ver a carona do Renato numa revista dessas. Lia cada linha como se estivesse lendo a Bíblia. Foi por ali que conheci toda a história do Rock de Brasília e todo o porquê da obra de Russo! Mas é aí que entra a parte ruim desse negócio de fazer o que bem se entende...


Bibliografias não-autorizadas.

Li uma coisa que hoje me parece o cúmulo: "...Renato podia falar de ódio, mas esse ódio era carregado de um Amor maiúsculo, universal...". Bem, como fã, achei legal. Mas cá entre nós... só um cara foi tão adorado em palavras: Jesus Cristo! Nem John Lennon deve ter sido tão bajulado em um texto ou frase quanto Russo. Ou seja, no dia em que o líder da Legião Urbana resolvesse gravar um sambinha ou um forró, os editores destas revistas achariam alguma desculpa ou fundamento para as atitudes do Mestre.

É tudo tão doido que se alguém me perguntasse o que acho dos últimos 5 anos do Skank, eu diria: massa, massa... parece Oasis!

Solos. Coisas que lembrei enquanto escolhia uma foto pro Orkut...

> Festas de Heavy Metal, Thrash, Pop Rock, Rock, bailão... eita, a semana tá movimentada! Não fui ao Rock Metal Force, com o Shaaman, Burning in Hell e meus amigos da Staut. Pena... fiquei em casa, rateando feio com uma guria gatinha que não me deu o retorno esperado. Mas falei com a Glau, organizadora da parada, e ela disse que rolou tudo dentro do script. Até tomar sorvete com Ricardo Confessori (batera do Shaaaaman) a moça foi; ali na Dona Leda.


Troféu de campeões dos festivais.

> A Staut apareceu no Radar, um dia antes do show. Bah, ficou massa! Sonzão de guitarra e vocal com efeito quente!

> 4º Thrash Attack, nesse sábado, lá na Sociedade 5 de Maio, Taquara-RS. Vale a pena ir! Terá a Das Reich (elogiada mil vezes aqui no RWOL) e a Megalon, entre outras!

> Mas terá Desvio Padrão no Tio Remi, também. Convido-os a verem a banda deste rapaz que vos fala. Propaganda no Rock Way? Ah, é, eu prometi que não...

> E vai ter banda Drive na Karaoukê. São os guris de Porto Alegre adentrando (no bom sentido) o espaço vazio das bandas da região.

> Um dos guitarras do Detonautas morreu a tiro no Rio. Ficam meus pêsames ao pessoal da banda e a quem simpatizava com o som dos caras.

> Fazia um tempinho que eu não escrevia nessa pocilga. Ora, quem quer ler meus textos?

> A verdade é que a Desvio Padrão me toma tempo e tal... agora, sim, estou ocupado com o que gosto.

> O Rock Way of Life vai ficar mais de resenhas de discos e filmes mesmo. Conforme eu queria, desde o começo.

> Meu pé tá 95%! Já caminho como um bípede normal... mas como diz meu amigo Bier: "Marat, tu nunca foi um bípede normal!"

> Pensei em parar. Mas ainda penso em continuar.

MARAT 12:13 Tem uns comentários!


30.4.06  

Sábados celestiais. Esses dois últimos sábados foram obra do Divino. Sim, porque se fossem coisa do Cão, até que seriam divertidos.

No último finde, solitário, depois de um sutil corte definitivo da minha quase-namorada, fui beber com o "pessoal do blog". Um vinho baratíssimo do Lanceros desceu como uma Fanta nessa goela medonha. Bêbado, fui para a frente da Sociedade 5 de Maio, em Taquara, ver o movimento do Rock Metal Party, festerio de aquecimento para o 3º Rock Metal Force, que não tem nada a ver com o 4º Thrash Attack Festival (não se perca nos nomes).

O terceiro evento do gênero trará Shaaman, aquela puta banda que nasceu da dissidência do Angra. Muitos taquarenses torceram o nariz para a escalação do grupo, não pelo que representa ou pelo que é, mas, sim, pelo inusitado de uma banda famosa tocar logo em Taquara! E no 5 de Maio!!! E, no entanto, é verdade e dou fé. Mais informações nos próximos textos.

Mas tá! Fui bêbado lá pra frente, querendo estar lá dentro, bem (ou mal) acompanhado. Como não deu, resolvi que bater um papo surreal com a gurizada trôpega vadiando nas calçadas seria a solução. Foi, de certa forma. Ainda mais porque serviu de preparatório para nosso embarque para o Megapetro. Lá, encontramos os dois bêbados mais freak de Taquara (só perdem pro Chapolim): Sílvio Santos e Seu Madruga. Terminei a noite me mijando de rir, depois de tê-los convencido a cagar no meio do posto em troca de cerveja. Realmente, pareceu-me bastante Rock n' Roll aquilo tudo! Mas os "roqueiros" que estavam ao redor não gostaram muito dessa bravata.

Quinta passada, estou eu agitando no meu quarto, ouvindo "Shoot to thrill", do AC/DC Live, e me achando o próprio Malcolm Young, tocando uma Air Guitar Gretsch, quando torço o pé violentamente. Fez "clec"! Bem, o fato é que a tendinite e a inflamação estão evidentes e não consigo pisar no chão! Eriq Marat neutralizado por sua banda preferida.


Pelo menos, foi dançando Rock!

Significa que tenho que ficar travado na cama, assistindo Altas Horas, e blasfemando muito contra o sistema. Que noitada! Grupo Re-Re-Re-Revelação e Detonautas. O negócio é engolir. Numa pergunta do Serginho Groismann (esse roqueiro manso) sobre o que os artistas presentes (a gostosa Priscila Fantin, o ator canastrão Alexandre Borges e o colorado Carlos Simon) andavam lendo, revelou-se o que nós já sabíamos: pagodeiro não lê! O cantor ainda tentou dizer que tinha lido um livrinho e tal, mas triunfou: "É, mas continuo preguiçoso pra essas coisas...". Ou seja, o recado foi que se você não lê, você vai tocar pandeiro. Queira ou não, meu velho, o gosto musical ainda é um termômetro confiável a respeito do que a pessoa lê e vice-versa.

O que o Detonautas lê ou leu não interessa.

É impressão minha ou o Tico Santa Cruz tá jurando que é o Eddie Vedder? Antes saracoteava no palco. Depois, viu a encarnação do Linkin Park no espelho. Agora, tenta encenar a postura cool e "intensa" que caracteriza o vocal do Pearl Jam. Ah, meu saco... e dê-lhe "deixa acontecê naturalmente..." na cabeça! Pé de merda, sara logo 1!!!

Solos. Coisas que transcedem tempo, espaço, gênero, número e grau.

> Na noite do Luau do Engº Parobé, fui antes dar um conferes na inauguração da lancheria e choperia Espaço Friend's, na galeria do Centro. Lugar jóia, perfeito prum happy hour. Tem comida e chope, e volta e meia um voz-e-violão. A inauguração ficou por conta do Karkassa, aka Daniel Ritter. Nesse ambiente, levei um papo com o ex-baixista do Reação, Márcio Abreu. Sujeito gente fina, lembramos dos velhos tempos (tem isso!) e falamos de bandas. Quer dizer, eu acho que foi. Quatro tulipas de chope, assim, no gute, embaralham um pouco a memória.

> O show das bandas Djouk's e Verde Maria estavam muito legais, mostrando-se boa opção para o Rock de Parobé. E não é que encheu a Karaoukê na sexta? Parecia sábado. Eu não conhecia mais que 1% da galera da festa, mas achei bem jóia. Claro, tudo ainda amortecido pelos chopes. E mais algum trago lá mesmo.

> A Verde Maria virou minha banda preferida em Parobs, pelo fato de terem tocado "Money talks", do grupo de Malcolm, bem na hora em que eu estava me dando bem no bar. Na hora, pra mostrar o Marat com quem a pobre mocinha estava ficando, subi ao palco, cantei o refrão junto e toquei Air Guitar Gibson, encarnando, desta vez, Angus Young.

> As bandas da região estão mexendo seus pauzinhos. A maioria terá material até junho. Algumas com demos, outras com EPs e outras com discos, independentes ou não. Exemplos não faltam: Radicais Livres, que está com o disco pronto pra lançar (resenha em breve); Magma, do Márcio, que lançará seu debute pela Antídoto; Desvio Padrão, com seu EP; Plug, que está gravando suas novas canções; Ata, que tem músicas muito legais; Poliphonics, que está de guitarrista novo; Staut, que já tem mais músicas gravadas e abrirá pro Shaaaaaaman; e assim vai. Mais do que o velho, velado, mas compreensível interesse que músicos têm pelo trabalho dos outros, agora teremos boas opções de som para curtir. E tudo bem diferente daquele experimentalismo e falta de norte que caracterizou o Rock do fim da década de 90 e começo de 2000.

> Programa Ídolos? É voz corrente a crença de que ali está registrada a maneira como o povão encara o Pop brasileiro. Entre esquisitices e acertos, meu voto vai para aquela moreninha que apareceu num visual neo-hippie verde, acho que de Brasília. Eu casaria certo com ela! Sobre as músicas escolhidas pelos candidatos? Hum, boa pergunta pro RWOL 3.

> É uma pena meu pé estar esse trapo. A essas horas (3:45 da madruga) já deve ter terminado o show da Dublê, banda essa tratada como celebridade nos últimos anos. Se até a Formigos galgou a fama, por que não os empregados do Bozó? E rolou Maskavo acústico no Festejando Parobé, apresentação aberta pela Green Mary. Mas eu queria mesmo era ir ao show do Daniel, segunda agora. Caramba, é tão freak que acredito que não poderia perder! Pé de merda, sara logo 2!!!

MARAT 15:01 Tem uns comentários!


12.4.06  

O Rockfest de São Francisco. Ao contrário de outros tempos, em que eu reinava sozinho nessa pocilga, agora tô botando correspondentes pra fazer os troços pra mim. Pra inaugurar o espaço, Roberto Bier com sua resenha sobre o Rockfest de São Chico, ocorrido há um tempinho... É contigo, Bier!

Caras, não é que no dia 18 de março eu estava lá? Foi legal pacas! Tava cheio de serranos, a galera de Taquara, as bandas locais e é claro muito som com qualidade.

A Casa Etílica foi o local de um grande encontro das bandas locais, grandes nomes das duas cidades subiram ao palco e deram o que eu chamaria de o melhor de si.

*Ballen Time's: a missão!
Dizem que ser a 1ª banda é sempre uma responsabilidade muito grande e que geralmente não dá um bom som, mas a Ballen Time's fugiu à regra. Tiaraju (vocal) pediu apenas duas coisas: que a equipe técnica aumentasse seu retorno e que alguém lhe trouxesse uma cerveja. Após isso, missão completa: tanto nos côveres quanto nas próprias - o baixo de Adão e a bateria de Jonas (Rosca) mostraram competência, mas destacou-se mesmo a firmeza da guitarra de Eduardo Poca.


Tiaraju esboçando seu vocal!

*Witch Razor: verdade doa a quem doer!
A Witch Razor teve um pequeno problema técnico: o despreparo. A guita de João, o baixo de Nicolas e a bateria de Jerok mostraram-se em progresso, certamente fruto de alguns ensaios, mas insuficientes, já que o vocal Jean estava precisando ler a música durante a apresentação.


Só pra não esquecer...

Pode parecer piada: essa foi uma demonstração de coragem para se apresentar em público, mas falta de prática é algo intolerável - é certo dar tudo que se pode em um show - porém é necessário antes de tudo respeitar o público no mínimo através de esforço. Jogar uma letra de uma música no público foi uma pérola de humor-negro.


Vou dar uma espiadinha...

*oZoutros: o mais esperado!
A noite jamais seria a mesma sem a apresentação d'oZoutros. Os taquarenses partiram para a frente do palco.


oZoutros preparando o repertório numa ficha... digamos, original

A formação em trio da banda, a não-oficial, que coloca Miguel (Sonic) no baixo, Renan como único guitarrista e André na bateria (N. do E.: essa é a formação! Se mudarem, vai ter pros três!!!).

Miguel comentou que o tempo lhes deu direito a apenas um ensaio, mas oZoutros estavam lá para mostrar o que são 4 anos de trabalho em uma banda. As músicas próprias foram um verdadeiro arraso: taquarenses e serranos cantavam juntos, quase sufocando a voz do vocal. Mas o "momento êxtase" foi quando, atendendo a pedidos, tocaram Ramones ("The KKK take my baby away"). Não foi surpresa pra ninguém: roda punk e gente brigando por espaço para ouvir oZoutros de perto.


Miguel embalando a galera ao som de "Cartas e Fotos".

A banda ainda fez referências a outros clássicos do Rock, como Chuck Berry. Terminaram com a galera pedindo mais. Na verdade, poderiam ter ficado mais tempo.


Falando em clássico: "É Chuck Berry, não é o Chuck Norris!"

*Soneto Sonoro: a surpresa da noite!
Que o lendário Emerson Cabelo estava investindo na banda todo mundo sabia. O clima Punk Rock ainda estava no ar, então a banda começou com alguns instrumentos alternativos para preparar espiritualmente a massa roqueira para o que estava por vir. O contrabaixo de Davi Camilo trazia muita paz, Lucas na Guitarra, Logan na bateria e Emerson faziam a música doce e calma por essência.
Esta banda foi a prova de que a mente dos roqueiros é aberta, não é uma escravização de almas. Não houve comentários do tipo "Ah, toca Beattles!", "Toca Ramones!" ou "Toca Rauuul!" (N. do E.: toca Rock n' Roll do Lédi!).


Essa fumacinha aí é só um efeito do palco, viu?

O que houve foram pessoas adeptas à cultura do caminho simples: a música pura. Soneto Sonoro ficou conhecida naquela noite por ser uma banda de respeito, não à-toa e, principalmente, repleta de talento. Quando foi perguntado pelo estilo da banda, o vocalista respondeu: "não há estilo. Cada banda tem um único. O ponto de onde se caracteriza um estilo deve fluir, e não ser simplesmente classificado."

*Bitter: surpreendente e, no mínimo, irreverente!
Bitter começou numa boa. O pessoal estava cansado, mas prestigiou os esforços da banda com bastante calor humano. Chegando finalmente ao momento dos covers, o vocalista retirou da mala nada a menos que um trompete. A banda toca NOFX com muita categoria, mostrou com isso com êxito. A guitarra de Zeck se destacou como grande embalo da banda. Os vocais Huke (também no baixo) e Neno (também na guita) tinham uma sincronia que certamente foi resultado de dedicados ensaios. Jopin também deu uma aula de competência na batera.

(Desculpe, galera, vou ficar devendo essa foto, porque queimou...)

*Pop Corn: ser a última banda não é tão ruim...
Quando tudo parecia "em clima de acabou", Ramiro subiu ao palco pegou o microfone e prometeu um grande tributo ao grupo Mamonas Assassinas. Não foi pra menos! Renan assumiu pose na guitarra, Adão no baixo, com direito até aos pulinhos da banda original. O baterista Rodrigo também foi fiel ao cargo; estava então montada a Mamonas Cover. Numa apresentação inesquecível, Deh (baixista oficial da oZoutros) foi convidado a subir ao palco e dar a graça de sua voz para que a banda tocasse "Uma Arlinda Mulher" no estilo mais mamonístico possível! Um verdadeiro show.


A vantagem de ser a última banda é não ter hora pra parar!!!

O resumo da noite: oZoutros, Bitter, Soneto Sonoro, Witch Razor, Ballen Time's e Pop Corn são provas que a parte cultural da região está musicalmente bem representada. Se por um lado falta muito espaço, patrocínio e oportunidade, por outro sobra talento força de vontade e determinação dessas bandas que fizeram bonito na Casa Etílica.
Se a questão fosse "cadê o sucesso?", minha resposta seria: "e existe sucesso melhor do que ter os amigos a volta e curtir um som?".

Meu agradecimento a todos que deixaram com que eu tivesse acesso a algumas informações. Peço desculpas por algumas brincadeiras postas aqui, ok?

O Rockfest de São Francisco... ah, não vai haver outro igual tão cedo.

MARAT 09:21 Tem uns comentários!


5.4.06  

Sistema de ensino. As escolas estaduais gaúchas entraram, boa parte, em greve para que sejam reajustados salários do magistério (credo, parece manchete!).

Eu, que sou representante do professorado, sei que não será um simples reajuste de 80 pila parcelado que vai melhorar o Ensino Médio e Fundamental. Se há um problema na educação pública (e há), não é com governo que se resolve. A questão está na frouxidão do ensino.

Acompanhe. Há um bom tempo atrás, o ensino em escolas públicas e particulares era rígido. Ou o aluno se esfolava pra estudar e passar ou já era. As criaturas tinham Latim, Francês e Inglês de Língua Estrangeira. E os livros didáticos, ao que me constam, eram de uma doçura comedida. Passamos pela ditadura, enfrentamos poderes e criamos ligas juvenis com cultura e inteligência. Dos anos 50 pra cá, a música brasileira viu MPB, experimentalismo e Rock conviverem harmonicamente (com algum ranço por parte dos Tropicalistas, é verdade).


Galerinha estudiosa!

Fui aluno de escola particular nos anos 80 e início dos 90. Lembro de termos um sistema que não dava concessões para a desobediência, e ninguém ficou louco ou transtornado por isso. Ao final da década de 90, a coisa afrouxou de vez.

Televisão, jornais, as malditas ONGs, Direitos Humanos, todos dando contra o controle da sala de aula. Esses órgãos e a mídia não colaboram em nada, mas existe uma entidade que complica mais: a Pedagogia moderna! Deus do céu, como pode um bando de professores acreditar realmente que determinadas atitudes vão aterrorizar a criançada? Você sabia que em faculdades de Pedagogia acham o cúmulo do desrespeito quando um professor faz um "x" de errado, com caneta vermelha (essa cor chocante), numa prova de um aluninho? Pobrezinhos...! Confessem pra mim: vocês ficarão traumatizados pelo resto da vida porque levaram um errado numa prova?


"Vamulá, gente! O Pop brasileiro precisa de toupeiras como nós!!!"

O óbvio aconteceu: os alunos são tratados como peças de porcelana, quebrabilíssimos e de psiqué frágil. Desencadeou-se um processo de falência múltipla de setores da educação. Hoje, temos alunos que não fazem a mais vaga idéia do que seja infinitivo, particípio, verbo "To Be" e fórmula de Báscara... no 3º ano do Ensino Médio.

É possível, então, que a música no Brasil tenha crédito depois de sofrermos décadas de pulso fraco na educação? Antes, tínhamos Edu Lobo, Chico Buarque, Mutantes, Cazuza, Júlio Barroso, Renato Russo, Tom Jobim e outros artistas em sua melhor forma, driblando censura e usando sua cultura (muito dela aprendida na escola) para passar sua mensagem. Hoje? Bem, temos Felipe Dylon, Kelly Key, Charlie Brown... um grande sortimento de artistas estranhos. E ainda tem os fãs... mas desses, falem vocês.

colaborou Sor Vágner.

Solos. Coisas que renderiam um texto maior, mas pra que complicar...?

> Sábado passado rolou o show da Stoneanos na Karaoukê. Mas junto teve festa Funk. E até que foi legal a junção, sabe? Principalmente nos camarins, onde a integração foi total. Enquanto eu e os músicos da banda conversávamos sobre amenidades diversas, tomando cerveja Lecker (uma Nova Schin Power...), as dançarinas do Funk iam se olhar no espelho perto de nós. Caramba, que bundas!


"Vocês conhecem, afinal de contas, o Rolling Stones?"

> O show foi curto, umas 15 músicas no máximo. Mas foi legal. Dei uns berros em "Satisfaction" e pulei com uns roqueiros perdidos no meio da multidão. Não vou comentar a apresentação toda, pois seria a enésima vez em que um show dos "Stones de bar" apareceria no RWOL.

> Daniel Ritter, o Karkassa, vai abrir os trabalhos no novo bar de Parobé, o Espaço Friend's, naquela galeria que tem na frente da Praça. É hoje à noite!

> Também rola em Parobs o Lual (eu acho que é com "U" no final...), uma festa do Grêmio do colégio Engº Parobé. Vai rolar as bandas mais conhecidas da atualidade na cidade, Djouk's e Verde Maria. Ingressos a 5 pila antecipados na Maraca.

> Lembrei de uma agora. O vocalista da ótima banda Caudilhos América, de Gramado, contou que tentou entrar esses dias na Cult Music, de Canela. O pessoal da portaria pediu sua identidade e ele mostrou o documento. Só que a foto era uma do Jimmy Hendrix! Claro que os seguranças chiaram com o sujeito! A resposta do vocal? "Pô, galera! Que preconceito é esse com o Negão?".

> Lázaro Rondinelli, notório baterista da região, ia para a praia de Salinas e resolveu abastecer seu veículo a caminho do litoral. Atencioso, o frentista pergunta: "Tá indo pra que praia?". Lázaro responde que é pra Salinas. O frentista conclui: "É... o importante é estar na praia, né?".

MARAT 16:20 Tem uns comentários!


27.3.06  

Cachorro Grande. Como foi o show da banda gaúcha mais Rock Inglês que existe?

Sábado retrasado, a Karaoukê chamou os Cachorros para uma celebração ao Rock n' Roll. Eu entrei na Karaoukas entes de eles (digo, antes dos roadies) passarem o som. Só pra ver qual é que é...

Noite de Rock. Pensei: "puxa, vou usar meu paletó...". Mas a noite estava particularmente quente. Resolvi ir chinelão mesmo, com uma camisa bem Django y Los Bastards.

Entrei no recinto e estava no fim do show da Verde Maria, exatamente na hora em que interpretavam "With or without you". Pelo visto, a galera gostou. Não deu tempo, infelizmente, de assistir ao show deles. Mas conheço a banda e sei qual é que é.

Depois, foi só esperar passar a onda Funk, pois a atração principal já estava nos camarins aquecendo as ventas. 90 latinhas de cerveja e um Ballantine's. É o momento da banda e eles que aproveitem da forma que for melhor.

Quando terminou o Funk (lembre-se de meu mantra: "antes de um show de Rock..."), os Cachorros entraram no palco. Estavam faceiros e vieram fazer festa com quem gosta de Rock n' Roll. O Ballantine's ficou sob posse do baixista, Rodolfo Krieger. Ele não tomou tudo, mas boa parte foi enxugada durante a apresentação.

Chamou minha atenção o visual da Cachorro Grande. Sempre em ternos impolutos, eles estão dando uma renovada no guarda roupa. Beto Bruno vestiu jeans azul escuro, jaqueta e calça. Os outros também estão encarando um visu menos Mod, com exceção de Pedro Pelotas, o tecladista com cara de espião. Mas claro que todos vestem camisas Marka Diabo, do Nino Lee, com estampas de seus ídolos do Rock.

Chega! O negócio é música, porra! A banda está num nível de reconhecimento de trabalho que pode se dar ao luxo de só tocar sucessos e algumas músicas legais, mas que não necessariamente fizeram algum sucesso. Entendeu? E a turma cantando junto, todos muito felizes e faceiros porque sabem que ainda existe Rock festivo por estas plagas.


"Ei, cara! Aumenta aí que isso é Rock n' Roll também!!!"

O Cachorro Grande é uma banda que está me convencendo a ouvir mais deles. Eu achava tudo muito estranho em CD, mas curtia os shows. Estou ainda me acostumando com seu segundo disco, vejam só. Os caras bebem de fontes de Rock simples, como Beatles, The Who e Stones, além de T. Rex e Supergrass (esses, nem tão simples assim). Se eu bem me lembro, a maioria das bandas desse tipo de Rock começou e terminou sem muita preocupação em fazer músicas politizadas ou coisa parecida. Engajamento? Só no fato de todos peitarem muita cerveja e fazerem folia.

Logo, qualquer comparação com o Rock gaúcho dos anos 80 é bem-vinda, visto que Charles Master, Nei Van Sória, Alemão Ronaldo (esse sim, o pai da coisa toda) e Flávio Basso são compositores que tomaram goladas enormes dessa bebida forte que se chama Rock 60. E todos tinham como mote o mesmo descompromisso poético que o Cachorro Grande tem agora.

Nessa altura do campeonato, ficaria bem esquisito ver Beto Bruno fazendo súplicas pelos direitos humanos e pelo perdão à dívida externa. O que ele fez no palco com seus amiguinhos e suas amiguinhas, 3 ou 4 glamurosas que agitaram as cadeiras junto com a banda, foi perfeito para o que se esperava deles.


Garotas com sexperience!

Fecharam a bagunça com "Helter Skelter", dos Fab Four. Tive acesso aos camarins, num momento em que quase fui agredido por dois fãs (um deles era uma aluna minha... massa, né?). Lá, rolou doideira! Bebidas mil, garotas, fotos, seguranças, gente... nossa, eis um camarim Rock n' Roll! O roadie-chefe dos Totós alertou: "aqui não entra bola!". Tudo bem, o Marat ficou na antesala, pescando os papos que rolavam. Perguntei ao baixista o motivo da saída de Jerônimo Bocudo, criatura que ocupava o posto anteriormente. Ele alegou que não sabe porque Bocudo saiu, mas sabe porque ele entrou no lugar. Hum, diplomático o rapazinho, não?

A entrada do cara na banda deu uma refrescada no visual carregado da Cachorro Grande. Talvez seja um motivo, vai saber?! Quando saí para a rua, encontrei o vocal e mais não sei quem deles indo embora pelas ruas de Parobé, bem acompanhados. Ô, vida! Nas palavras de um segurança: "Ah, eles foderam uma monte de gurias e depois se mandaram!". Já sei o que eu vou pedir pro Coelhinho da Páscoa...

O público não superlotou o ambiente, mas soube o que fazer na festa. E não é exatamente isso que importa?

MARAT 12:50 Tem uns comentários!
VÁLVULA 12AX7
OLHO MÁGICO
VÁLVULAS 6L6
VÁLVULAS 6550
POTÊNCIA VALVULADA!
PRÉ-VALVULADOS
ALTA IMPEDÂNCIA
CAPTAÇÃO ATIVA
ONDAS SENÓIDES
TRANSÍSTORES...
VINTAGE TUBES
VÁLVULAS SATURADAS